02 maio, 2015

Como o tempo voa

E estamos quase de partida.
Parece que foi ontem que fiz a mala do Feijão e da Azeitona e parti rumo á cidade das luzes, mas entre o ontem e o hoje, passaram-se 4 meses.
Na próxima semana voltamos de gatos e bagagens para Portugal.
Vem aí uma nova fase para nós: Vamos ser tios. ( e está na altura de voltar)

O meu irmão vai ser pai! 
Quão estranho isso ainda me soa. Parece que ainda agora estávamos ás turras para ver quem usava a net que era paga á hora e rezávamos para que ninguém nos ligasse o telefone, pois era por rede telefónica e através de um Modem que fazia um barulho infernal para ligar. Hoje nem imagino viver assim.... ou quem comia os últimos noguetes de galinha, Ainda eu não era vegetariana..... nem ele.... Ou Parece que foi ontem que me juntei a ele e aos amigos na rua para brincar aos generais, e que levámos com um balde de água na cabeça. Eu era a "Aspirante", claro! O desgraçado levava com a irmã até na rua, entre os amigos e brincadeiras de soldados! Ou que foi ontem que corríamos pela praia de Peniche com uma bóia á cintura. Que íamos para casa da avó congeminar torturas ou que lhe entrava pela sala da primária dentro para  o ir buscar. Parece que foi ontem.... mas não foi. 

Estamos os dois adultos e a virar páginas nas nossas vidas. Eu noiva e ele... 
Bem, ele vai ser pai.
Não sei nada sobre ser tia, mas vou adorar descobrir.

Tenho aquela estranha sensação de que o tempo está a voar. 
Bem sei que a partir de uma certa idade quase que se torna obrigatório sentir isto, mas não é que é verdade? O tempo voa á minha frente e eu não paro de correr atrás dele. 
Quando somos crianças parece que o tempo não anda. Parece que tudo demora uma eternidade. O natal não chega, nunca mais fazemos anos, nunca mais temos idade para... nunca mais. A faculdade está lá longe... Tudo é aqui e agora. 
Quando nos tornamos adolescentes temos aquela sensação que seremos novos para sempre. Podemos fazer tudo. Temos o mundo aos nossos pés, podemos agarrá-lo! Não há limite! Somos mais, sabemos mais, queremos mais, e vamos ter.
Agora sinto-me entre a adolescente que já não sou e a adulta que ainda não me sinto. Estou num lugar que não reconheço. O mundo que pensei agarrar... esse escorre-me entre os dedos. 
Se eu me lembrar como é que imaginei que seria com a idade que tenho hoje quando tinha 17 anos, não reconheço quase nada. Sou uma pessoa completamente diferente do que era há uns anos. A essência está cá, sim... mas sou uma pessoa diferente. Por um lado ainda bem. Evoluí, amadureci, mudei o que achei que não estava bem, fiquei mais exigente, melhorei, por outro... há coisas que continuo a perseguir e que ainda não me dei por vencida, mas que sempre imaginei que aos 31 já teria alcançado.
Talvez parte dos problemas das pessoas sejam os planos, as expectativas que fazemos desde que nascemos, mesmo as que não tendo sido feitas por nós, nos foram oferecidas por alguém que só quis o nosso melhor.  
Enfim, não é fácil crescer, não é fácil viver com o que alcançamos e muito menos com o que não alcançamos.
Ainda assim, quão privilegiada sou com a minha vida? TANTO. Tenho pensado muito nisso desde que aqui estou, em simples momentos da vida. Momentos simples como ir correr na rua ou beber um copo com amigos ou olhar o meu namorado e sentir amor dentro de mim, privilegiada porque sou uma mulher livre que pode decidir a sua vida. Quantas não o são. Ou privilegiada por ter uns pais maravilhosos comigo. Uma casa, estudos, etc.... Quantas pessoas não sabem o que isso é. E tantas outras coisas...
Ultimamente tenho andado muito nostálgica e pensativa. Mas falarei nisso num próximo post.
Por hoje, quero só sorrir ao pensar que em breve Vamos ter uma ervilha na família :)

Bacci

1 comentário:

  1. E vais ensinar-me a viver tudo isso que relatas, com essa intensidade.
    Volta depressa, Tia Yola.
    Ass: Ervilha. :)

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Obrigada :)