É comum muita gente dizer que eu sou vegan porque deixei de comer totalmente derivados de animais. Sim ,é um facto, eu sou vegan, mas não é por isso.
Muita gente continua a associar o veganismo a uma opção alimentar e isso é errado. Dentro do vegetarianismo há muitas variantes ( lacto - vegetarianos, ovo-lacto-vegetarianos e o vegetarianismo estrito ( ou puro, como algumas pessoas dizem) é uma delas. É quando o vegetariano deixa de comer qualquer alimento de origem animal, no entanto isso não faz dele vegano porque o veganismo tem entre várias características o ser-se vegetariano estrito, mas essa é apenas uma das várias características do veganismo.
Não quero com isto julgar e muito menos tornar o vegetarianismo pouco válido, são apenas coisas diferentes que acho que deverão ser compreendidas. Em Portugal o conceito está misturado porque não se usa o termo ovo-lacto vegetariano. Usa-se vegetariano para tudo e por isso parece que falta uma palavra para descrever quem não come nada de origem animal ainda que não seja vegan. Em Francês eles têm "vegetalian" e em Inglês "plant based".
E por falar em mitos,vamos deixar aqui bem claro que uma pessoa que não come carne mas come peixe NÃO é vegetariana. É uma pessoa que não come carne. E comer apenas carnes brancas também não torna a pessoa vegetariana. Por favor... Um vegetariano NÃO come animais. NUNCA. E salsicha é carne, e fiambre também! E caracóis são considerados animais.
Percebemos isso?
É importante perceber isto para acabar com os mitos que pairam sobre o vegetarianismo, e não confundir veganismo com " dieta saudável". Ninguém é Vegan para ser saudável. Não é uma dieta. NÃO É UM REGIME ALIMENTAR.
Nós acreditamos que ser vegetariano é mais saudável, sim, porque os produtos de origem animal não são saudáveis, mas como não é essa a motivação , nem adianta perder tempo a falar disso neste post.
O Veganismo é um movimento político, social e filosófico que pensa, debate e luta pelos direitos dos animais e obviamente, por consequência, das pessoas. Ainda que com o passar do tempo o conceito se tenha estendido ao ambiente e às pessoas , a origem do veganismo é a luta pelos direitos dos animais.
É uma questão ética. É uma posição perante a vida. Por isso não faz sentido dizer a um vegetariano ético ou vegano para abrir uma excepção no jantar e comer uma salsicha. É como abrir uma excepção e dar umas boas vergastada no escravo que se arranjou para trabalhar no fim-de-semana, apesar de durante toda a semana sermos contra a escravatura e lutarmos pelos direitos humanos, percebem?
Uma vez que é uma questão de respeitar o direito e dignidade de qualquer ser, não se trata só do que comemos. os veganos são naturalmente contra a exploração de animais humanos e não humanos. Deste modo é urgente boicotar actividades, empresas e produtos que fomentem o especismo.
O veganismo tem como principio base a não exploração de animais. A crença de que os animais têm direito a viver com dignidade e não serem usados como propriedade ou explorados/escravizados.
Como consequência desta posição, os veganos adoptam uma dieta estritamente vegetariana.
Essa posição estende-se ao uso de animais não só para alimentação como trabalho, caça ou qualquer desporto, espectáculo de entretenimento, negócio, vivissecção, ou qualquer prática que envolva a sua exploração e que seja um atentado á sua integridade física ou psíquica.
O veganismo boicota a utilização de produtos testados em animais ou que seja feito a partir de animais.
Basicamente, qualquer produto ou serviço que contribua directa ou indirectamente para a exploração animal como alimentação, cosméticos, vestuário, produtos de limpeza, remédios , adornos, produtos, serviços, práticas ou produtos que utilizem ingredientes de origem animal, (que utilizem animais ou sejam testados em animais ) mel, açucar refinado (dependendo da marca), alguns alimentos com corantes de origem animal, artigos em peles, camurça, lã, seda, pérolas, plumas, penas, ossos, marfim, etc.... qualquer material que implique a exploração ou morte de um animal.
Claro que o veganismo é complexo e por isso é uma busca interminável que nunca se atinge 100%, mas as pessoas fazem o seu melhor, dia após dia.
Veganos preferem materiais como algodão, linho etc.. ou sintéticos sendo que no caso dos sintéticos há que ter cuidado pois parte do mercado de sintéticos ajuda, ainda que indirectamente, á degradação do planeta.
É importante perceber que actualmente
o veganismo não luta só "pelos direitos dos animaizinhos" como muita gente diz, luta pelo planeta terra. Luta pela sustentabilidade do planeta e obviamente pela vida de quem vive nele
o veganismo não luta só "pelos direitos dos animaizinhos" como muita gente diz, luta pelo planeta terra. Luta pela sustentabilidade do planeta e obviamente pela vida de quem vive nele
( pessoas e animais), já que é mais que sabido que a produção agro-pecuária é a principal fonte de destruição do planeta.
Por isso, um ecologista não o é até que se torne vegano, lamento.
Muita gente pergunta em relação aos testes em animais. Que alternativa há?
A medicina progrediu muito. Infelizmente á conta de testes cruéis em animais, mas eu percebo que eram outros tempos, poucos recursos. Hoje em dia, felizmente há opções.
Cada vez há mais médicos e cientistas a dedicar a sua brilhante carreira á criação de alternativas para experiências laboratoriais. Temos o exemplo de testes in vitro, cultura de tecidos e modelos computacionais.
Era bom que governos de todo o mundo investissem economicamente neste sentido. Apoiar o aparecimento de novas alternativas aos testes. Mais eficazes para as pessoas e menos cruéis para os animais.
É importante salientar que os veganos não odeiam a ciência e estas práticas, pelo contrário, o veganismo quer é apoiar a ciência para que esta se desenvolva com o objectivo de termos um mundo mais justo, no entanto sempre que possível, veganos optam por não tomar medicamentos de origem animal ou de laboratórios que testam.
Cada vez mais as associações apostam em campanhas de sensibilização e não de boicote agressivo.
O mesmo acontece com empresas de cosméticos. É urgente sensibilizar as marcas a apostar em alternativas aos testes, porque hoje em dia é possível e a prova é a lista enorme de marcas de produtos de limpeza, higiene e cosmética com certificado cruelty free.
Muitos medicamentos, suplementos e tratamentos medicinais já têm opções veganas e livres de crueldade.
Uma curiosidade que encontrei algures na net:
"O termo inglês vegan (pronuncia-se vígan) foi criado em 1944, numa reunião organizada por Donald Watson (1910 - 2005) envolvendo 6 pessoas (após se desfiliarem da The Vegetarian Society por diferenças ideológicas), onde ficou decidido criar uma nova sociedade (The Vegan Society) e adotar um novo termo para definir a si próprios."
Bacci
