14 agosto, 2015

Prometi não chorar.



Como seria se soubessem exactamente quanto tempo vos falta com alguém?
Se soubessem que daqui a umas horas seria o abraço final?
Que este seria o último passeio, o último segredo, o último silêncio, o último olhar.
 Que este seria o último beijo, que nunca mais seria possivel sentir o bater do coração.
Como seria o último passeio? Onde? durante quanto tempo? Por quanto tempo aguentariam abraçados?
Que segredo contariam um ao outro? Como seriam os silêncios? Os silêncios que dizem tudo não dizendo nada. E onde cada segundo conta.
Quanto caberia num olhar? Num beijo?
O que é que mudaria se soubessem?
Se soubessem que aquele é o último momento que vos resta... que depois disso ficará um aperto recheado de saudades e memórias. De e se's...? 
Se soubessem exactamente qual o momento em que terão de dizer Adeus e deixar partir.

A nossa vida é perfeita. Confrontamo-nos com a possibilidade da morte todos os dias da nossa vida. Sabemos que morreremos, que todos e tudo á nossa volta morrerá. O facto de o sabermos a cada dia é como que uma oportunidade de nos habituarmos á ideia, para que se torne suportável. Sabemos que poderá acontecer, mas não sabemos quando. Deste modo vamo-nos habituando á ideia e a tristeza vem em pequenas doses de medo, mas nunca suficientemente grandes para nos impedir de viver. Se soubéssemos o momento, aí toda a nossa vida seria condicionada por esse momento.

Então não sabemos. Vamos vivendo no limite, sabemos que pode ser a qualquer momento. Desejamos que nunca seja já.

Se soubéssemos que seria daqui a um dia, a duas horas, a três minutos? Como escolheríamos passar esse dia, essas duas horas, esses três minutos?

Nós fomos dar um último passeio. Prometi não chorar quando chegasse a hora. Sabia que seria daí a duas horas.

Guardo o último olhar, o último abraço, o último segredo, o último sorriso, o último passeio. Guardo a vontade de ter feito mais, mais vezes. Viver como se fosse sempre o último dia. Fica sempre algo por dizer, por fazer, por abraçar. Mas dei o último abraço, consciente que não haveria mais nenhum. E dei-o por todos os últimos abraços que não pude dar. Para que os levasses contigo.

Eu sei que prometi...

Mas não consegui cumprir a minha promessa. 

Até um dia





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